- Pelo o retorno de Epitácio Lindolfo da
Silva Pessoa e Artur da Silva Bernardes à presidência, foram dados 2
votos a cada um.
- Após a opção de Washinton Luiz por um
político ainda de São Paulo (Júlio Prestes) para a sua sucessão, com
a conseqüente exclusão de Minas, os acontecimentos iriam determinar
a formação da quarta e última campanha eleitoral da oposição, no
período. "Dezessete Estados apoiaram a chapa Júlio Prestes e Vital
Soares, este, Presidente do Estado da Bahia. Minas e Rio Grande do
Sul constituíram a Aliança Liberal e, recebendo o apoio da Paraíba,
lançaram as candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa. Na
campanha oposicionista, prega-se a anistia aos revoltosos de 22 e 24
e uma reforma eleitoral que inclui o voto secreto, a representação
das minorias e a entrega da direção das mesas eleitorais a uma
magistratura togada". Contando ainda com oposições regionais, a
chapa aliancista alcançou um somatório que, afinal, não desborda de
uma razoável prognose estatística, apresentando-se aceitável a
disposição dos números oficiais finais, quanto aos candidatos.
- Como expressão de inconformismo com os
resultados, merece menção o pronunciamento do deputado gaúcho João
Neves, no Congresso Nacional, na sessão de 21 de maio, na qual, após
tecer considerações de ordem estatística, atacou, como era esperado,
os métodos empregados no processo eleitoral, afirmando que "se
estivéssemos assistindo a um cotejo honesto de valores eleitorais;
se a mão onímoda do poder federal não tivesse subvertido os
processos naturais que conduzem às urnas; se as seções urbi et orbe
não tivessem fechadas aos eleitores independentes; se a tirania dos
corrilhos não houvessem afogado a vontade da Nação, qual de vós
estaria aqui apressados para sufragar, com o seu voto, um parecer
divergente da maioria do povo?". Depois de referir-se à memorável
contestação de Rui Barbosa e à cruzada da Reação Republicana, o
parlamentar consignou esse curioso protesto, a respeito da viagem do
Presidente eleito ao Exterior: "Dizem as folhas que a nave que vai
conduzir o honrado Sr. Júlio Prestes, na sua viagem nupcial com a
Presidência da República, será comboiada por uma divisão de
cruzadores: o Bahia e o Rio Grande do Sul. Que o Bahia acompanhe S.
Exa. não só com a força e a beleza dessa nau, mas também com o
prestígio do grande, poderoso e tradicional Estado, cujo chefe é
companheiro de chapa do candidato vencedor pelas atas; que o Bahia o
acompanhe, é justo. Que o Rio Grande do Sul o acompanhe é que,
entretanto, não é justo"... E, a seguir, observou com blague: "se os
caprichos do acaso ou a malícia das intenções ocultas quiserem
significar que, na esteira do Almirante Jaceguay navega o Estado do
Rio Grande do Sul, então fique o Brasil seguro de que o povo gaúcho
lá não está flutuando ao sabor das conveniências, ou sacudido pelas
vagas da infidelidade à palavra prometida...".
- Todavia, aquelas naus escoltariam em
vão...
- A Revolução eclodiu em outubro. O
presidente Washington Luiz foi deposto e os eleitos não tomaram
posse. Findava-se a Primeira República.
- O sistema de verificação de poderes no
Brasil havia se desvirtuado a ponto de se constituir numa gangrena
da organização política nacional. "A máquina majoritária assegurava
a sua perpetuação, manipulando o instituto da verificação dos
poderes, (...). A derruição dessas estruturas não pode ser alcançada
através de transformações pacificamente realizadas, uma vez que
implicava no sacrifício dos que se valiam dessas técnicas, que não
as haveriam de abandonar por despreendimento cívico.
- É uma obra que a nação ficou devendo à
Revolução de 1930" (Aloildo Gomes PIRES - páginas 46/8).
- Todavia, o povo brasileiro teve que
esperar, ainda, por quinze anos (1930-1945), em razão dos instintos
ditatoriais do Sr. Getúlio Vargas, para escolher os seus governantes
em eleições de vícios bastante atenuados.
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