ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

1º DE MARÇO DE 1930 (SÁBADO)

 
Fonte
  • PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995.

 
  • Em 1º de março de 1930, houve eleições nos 20 Estados e no Distrito Federal, com resultados divulgados em 21 de maio.

 
População (aproximada) 37.400.000
Eleitorado (aproximado) 2.525.000
Votos apurados (aproximados) 1.900.256
 
Presidente da República

Candidatos

Votações

Eleito

Júlio Prestes de Albuquerque 1.091.709
Não eleitos
Getúlio Vargas (Aliança Liberal) 742.794
Minervino de Oliveira (Partido Comunista do Brasil) 131
Luís Carlos Prestes 48
João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque 18
e outros menos votados  

Votos nominais

1.838.335

Votos brancos/nulos (aproximados)

61.921

Votos apurados (aproximados)

1.900.256
 
  • Pelo o retorno de Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa e Artur da Silva Bernardes à presidência, foram dados 2 votos a cada um.
  • Após a opção de Washinton Luiz por um político ainda de São Paulo (Júlio Prestes) para a sua sucessão, com a conseqüente exclusão de Minas, os acontecimentos iriam determinar a formação da quarta e última campanha eleitoral da oposição, no período. "Dezessete Estados apoiaram a chapa Júlio Prestes e Vital Soares, este, Presidente do Estado da Bahia. Minas e Rio Grande do Sul constituíram a Aliança Liberal e, recebendo o apoio da Paraíba, lançaram as candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa. Na campanha oposicionista, prega-se a anistia aos revoltosos de 22 e 24 e uma reforma eleitoral que inclui o voto secreto, a representação das minorias e a entrega da direção das mesas eleitorais a uma magistratura togada". Contando ainda com oposições regionais, a chapa aliancista alcançou um somatório que, afinal, não desborda de uma razoável prognose estatística, apresentando-se aceitável a disposição dos números oficiais finais, quanto aos candidatos.
  • Como expressão de inconformismo com os resultados, merece menção o pronunciamento do deputado gaúcho João Neves, no Congresso Nacional, na sessão de 21 de maio, na qual, após tecer considerações de ordem estatística, atacou, como era esperado, os métodos empregados no processo eleitoral, afirmando que "se estivéssemos assistindo a um cotejo honesto de valores eleitorais; se a mão onímoda do poder federal não tivesse subvertido os processos naturais que conduzem às urnas; se as seções urbi et orbe não tivessem fechadas aos eleitores independentes; se a tirania dos corrilhos não houvessem afogado a vontade da Nação, qual de vós estaria aqui apressados para sufragar, com o seu voto, um parecer divergente da maioria do povo?". Depois de referir-se à memorável contestação de Rui Barbosa e à cruzada da Reação Republicana, o parlamentar consignou esse curioso protesto, a respeito da viagem do Presidente eleito ao Exterior: "Dizem as folhas que a nave que vai conduzir o honrado Sr. Júlio Prestes, na sua viagem nupcial com a Presidência da República, será comboiada por uma divisão de cruzadores: o Bahia e o Rio Grande do Sul. Que o Bahia acompanhe S. Exa. não só com a força e a beleza dessa nau, mas também com o prestígio do grande, poderoso e tradicional Estado, cujo chefe é companheiro de chapa do candidato vencedor pelas atas; que o Bahia o acompanhe, é justo. Que o Rio Grande do Sul o acompanhe é que, entretanto, não é justo"... E, a seguir, observou com blague: "se os caprichos do acaso ou a malícia das intenções ocultas quiserem significar que, na esteira do Almirante Jaceguay navega o Estado do Rio Grande do Sul, então fique o Brasil seguro de que o povo gaúcho lá não está flutuando ao sabor das conveniências, ou sacudido pelas vagas da infidelidade à palavra prometida...".
  • Todavia, aquelas naus escoltariam em vão...
  • A Revolução eclodiu em outubro. O presidente Washington Luiz foi deposto e os eleitos não tomaram posse. Findava-se a Primeira República.
  • O sistema de verificação de poderes no Brasil havia se desvirtuado a ponto de se constituir numa gangrena da organização política nacional. "A máquina majoritária assegurava a sua perpetuação, manipulando o instituto da verificação dos poderes, (...). A derruição dessas estruturas não pode ser alcançada através de transformações pacificamente realizadas, uma vez que implicava no sacrifício dos que se valiam dessas técnicas, que não as haveriam de abandonar por despreendimento cívico.
  • É uma obra que a nação ficou devendo à Revolução de 1930" (Aloildo Gomes PIRES - páginas 46/8).
  • Todavia, o povo brasileiro teve que esperar, ainda, por quinze anos (1930-1945), em razão dos instintos ditatoriais do Sr. Getúlio Vargas, para escolher os seus governantes em eleições de vícios bastante atenuados.
 

Vice-Presidente da República

Candidatos

Votações

Eleito
Vital Henrique Batista Soares 1.079.360
Não eleitos
João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (Aliança Liberal) 725.566
Gastão Valentim (Partido Comunista do Brasil) 141
Luís Carlos Prestes 8
e outros menos votados.  
Votos nominais 1.808.790
Votos brancos/nulos (aproximados) 91.466
Votos apurados (aproximados) 1.900.256
 
  • Dentre os demais sufragados estavam Prudente de Moraes Filho, José Joaquim Seabra e Estácio de Albuquerque Coimbra.

 

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